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Terça-feira, 07/09/2010

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-AGRONEGÓCIO: ESTUDO APONTA CHUVAS E POSSIVEIS PERDAS NA AGROPECUÁRIA EM SP

terça-feira, 9 fevereiro, 2010 - 16:24

 
    SAFRAS (09) - O excesso de chuvas que vem ocorrendo desde dezembro em todo 
o Estado de São Paulo trouxe consigo episódios de erosão que destruíram caminhos
internos nas propriedades, arrancaram pontes, tornaram intransitáveis muitas 
estradas vicinais e até mesmo asfaltadas. O Instituto de Economia Agrícola da 
Secretaria de Agricultura e Abastecimento (IEA) fez uma análise para tentar 
mensurar o "tamanho" desse estrago. 
    As atividades mais prejudicadas são as de produção de hortaliças folhosas e
de leite, altamente perecíveis. Além disso, a grande quantidade de chuva 
favorece o aparecimento de doenças fúngicas e bacterianas, prejudicando o 
processo de colheita e a qualidade de muitos produtos. 
    Os pesquisadores salientam que se trata de uma análise preliminar das 
perdas prováveis na produção paulista, com ênfase em avaliação qualitativa, uma 
vez que as chuvas devem continuar ocorrendo. "Só então, passado esse período, é
que as perdas poderão ser calculadas com maior precisão, através de 
levantamentos detalhados, quando se encerrarem os ciclos produtivos em curso." 
 
 
    CAFÉ - Entre agosto e dezembro de 2009, as floradas apresentaram uma 
formação bastante desuniforme, provavelmente em função das alterações climáticas
observadas no período. O maior risco que pode ocorrer não se refere 
propriamente à quantidade, mas ao comprometimento da qualidade dos grãos, seja 
pela falta de uniformidade da maturação ou dificuldades na colheita e secagem. 
    Nos principais cinturões cafeeiros, especialmente nos de arábica mais 
meridionalmente posicionados, verificaram-se substanciais precipitações durante 
a época da colheita, com prejuízos diretos no quesito qualidade da bebida. Isso 
se observou principalmente para os cafeicultores com compromissos financeiros em
processo de liquidação (CPRs - física e financeira - e títulos financeiros - 
contratos futuros e opções), uma vez que o custo para padronizar os lotes 
elevou-se, segundo a qualidade exigida pelos contratos. 
 
    Houve situações em que o cafeicultor desistiu do exercício de entrega do 
produto (caso das opções públicas) em função do elevado encargo financeiro, para
preparar seu café nas unidades de rebenefício, em que se exige elevado volume 
de produto para a formação de lotes homogêneos. 
    A condição anterior de excessiva umidade manteve-se. Resultado, uma 
multiplicidade de fases reprodutivas no mesmo ramo de produção que deve trazer 
os seguintes efeitos: a colheita tenderá a ser mais custosa, em virtude do maior
número de repasses necessários para recolher grãos em estágio de maturação 
apropriado; haverá problemas novamente este ano com a qualidade da bebida, pois 
há tendência para que ocorra imensa mistura de grãos; pode acarretar em perdas 
no volume previsto para a colheita, excetuam-se os cafeicultores que descascam 
os frutos. 
   Ainda não se pode atribuir grande prejuízo ou comprometimento da quantidade 
produzida de café ao excesso de chuvas no Estado. O Escritório de 
Desenvolvimento Rural da Secretaria em Ribeirão Preto, contudo, estima perdas de
até 10%, sobretudo pelo comprometimento da infraestrutura para o escoamento da 
colheita. 
 
    GRÃOS - Entre as culturas de grãos, as que mais vêm sofrendo danos são as 
de amendoim e feijão, leguminosas de ciclo curto e muito sensíveis às 
adversidades climáticas. Todas as fases dessas culturas têm sido prejudicadas, 
especialmente as da maturação e colheita. No caso do amendoim, se as chuvas 
persistirem até a colheita da maior parte das lavouras em curso, os danos não 
serão apenas quantitativos, mas qualitativos, com a forte ocorrência da 
aflatoxina, substância tóxica que deprecia acentuadamente o produto. 
    Dada a diversidade do desenvolvimento das culturas no Estado, torna-se 
difícil mensurar o estrago na cultura de feijão, embora haja informações de 
perdas da ordem de 30% a 50% na produção das regiões de Avaré e Itapeva, as 
maiores produtoras. 
  
    Nos casos de milho e soja, as informações preliminares sobre perdas variam 
de 10% a 20%, números passíveis de retificação dada a possibilidade de alguma 
recuperação do estado vegetativo ou de maturação, principalmente da soja. 
    A cultura do milho de verão encontra-se em vários estágios do ciclo 
produtivo no Estado, dada a amplitude do período de semeadura da presente safra,
favorecida pelo início precoce do período chuvoso. Além das precipitações 
pluviais excessivas, a ocorrência de dias nublados com baixo nível de insolação 
prejudica a fotossíntese, afetando, assim, o potencial produtivo das plantas. 
 
    No caso do arroz, grande parte das lavouras paulistas com o produto ficou 
inundada, o que está dificultando a colheita e prejudicando a qualidade dos 
grãos. 
    Houve também aumentos dos custos de produção, decorrentes da dificuldade de
locomoção de máquinas, veículos e de trabalhadores para a execução de operações
agrícolas e comerciais. Devido ao fato da combinação de umidade excessiva e 
temperaturas elevadas favorecer a ocorrência de pragas e o desenvolvimento de 
doenças e ervas daninhas nas culturas, há ainda uma maior utilização de 
inseticidas, fungicidas ou herbicidas. Além disso, os grãos colhidos com alto 
teor de umidade terão de passar, necessariamente, por secadores, o que também 
eleva os custos. 
 
    FRUTAS - As chuvas intensas coincidem com a época de safra da maioria das 
frutas de clima temperado produzidas em São Paulo, prejudicando principalmente a
 qualidade. 
 
    No caso dos citros, embora não haja maiores perdas de produção, o custo de 
manutenção dos pomares deve aumentar devido à maior incidência de doenças e 
pragas favorecidas pelo excesso de umidade, além de dificuldades na colheita e 
transporte. 
    "De um modo geral, como as frutas muitas vezes não estão alcançando os 
padrões exigidos pelo controle de qualidade do varejo, boa parte delas tem sido 
descartada já no campo, ocasionando perdas aos produtores", salientam os 
pesquisadores. 
 
    CANA - A atividade encontra-se em seu período de entressafra no Estado, que
habitualmente inicia-se na segunda quinzena de dezembro do ano anterior e se 
estende até o fim de março do ano seguinte. 
 
    As chuvas que ocorrem com grande intensidade desde o segundo semestre de 
2009 causou um atraso considerável na colheita, o que ocasionou um efeito danoso
na oferta regular de matéria-prima para as usinas. Dessa forma, algumas 
unidades entraram no período normal de entressafra colhendo cana nos intervalos 
de trégua da chuva, acarretando uma possível redução da manutenção das máquinas 
e equipamentos e dos tratos agrícolas. 
 
    Em plena safra, houve precipitações pluviométricas acima da média para o 
período, aumentando consequentemente o número de dias parados na produção. Essa 
alteração climática também levou a uma diminuição na qualidade em termos de 
concentração de açúcares totais recuperáveis (ATR), o que incide diretamente na 
quantidade de transformação de cana nos produtos açúcar e álcool. 
 
    Outro efeito provável por conta das excessivas chuvas é a impossibilidade 
de colher a cana, resultando numa quantidade considerável da safra 2009/10 em pé
ou bisada (cana que sobrou de uma safra para outra sem cortar), o que, em 
parte, compromete a oferta. 
 
    Dados preliminares obtidos na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral
da Secretaria (Cati) dão conta de que poderá haver uma quantidade de cana 
bisada em torno de 10% da produção da safra 2009/10, o que significa cerca de 40
milhões de toneladas. Algumas regiões foram mais afetadas do que outras, 
portanto, estão com maiores dificuldades. 
 
    Vale ressaltar que as chuvas excessivas não são a principal causa dos 
aumentos recentes do preço do açúcar e do álcool. Outros fatores contribuíram 
com maior peso, a exemplo das importações de açúcar pela India e o aumento da 
demanda por etanol, ou seja, é mais uma questão de mercado do que de chuvas. 
 
    Em resumo, pode-se afirmar que as chuvas ocasionaram problemas pontuais na 
colheita da cana, o que de fato já ocorreu e, de certa forma, foi resolvido com 
a competência na gestão das usinas em reorganizar o cronograma de colheita e, 
assim, mitigar ao máximo os efeitos das precipitações pluviais. 
 
    O estudo foi realizado pelos pesquisadores Sérgio Torquato, Alfredo 
Tsunechiro, Sônia Martins, Celso Vegro, Priscilla Rocha Silva, Maria Célia 
Martins de Souza, Katia Nachiluk e Maximiliano Miura. AS informações partem da 
Assessoria de Imprensa do IEA(SP). 
 

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