Adubação

Por longos anos a pecuária brasileira esteve assentada em sistemas extrativistas de exploração. Áreas extensas eram exploradas sem  preocupações quanto a divisões e manejos e muito menos,  fertilização.

Este perfil de exploração  sofreu profundas alterações na última década, inviabilizando  a manutenção das práticas predominantes anteriormente.

Segundo Herling & Cerqueria Luz (2001), no trabalho "Adubação de Pastagem, saiba por quê?".

O fundamento da adubação baseia-se na devolução ao solo dos nutrientes que as plantas absorvem e são exportados pelos animais na forma de carne, leite, lã, etc...e também aqueles que foram lixiviados ou perdidos através de outros meios como erosão, volatilização e denitrificação ou, não elevação, em determinados solos, dos teores de nutrientes que estão originalmente, em níveis muito baixos, ou seja, aquém das exigências da cultura implantada."

Ainda baseados nos mesmos autores, vamos analisar as recomendações técnicas relativas aos macronutrientes NPK, conforme os resultados obtidos nas análises de solo.

Adubação de Plantio

3.1) P - Fósforo
A quase totalidade dos solos brasileiros são extremamente deficientes em Fósforo. A instalação da pastagem só terá sucesso quando a oferta de Fósforo for suficiente ao estabelecimento e desenvolvimento das plantas. Recomendações de níveis de adubação, com base na disponibilidade de Fósforo no solo (determinada por análise de solo), são mostradas abaixo:

Durante a Formação da pastagem, algumas medidas devem ser tomadas para que seja possibilitado o bom aproveitamento do Fósforo pela planta. Por exemplo:

- O adubo fosfatado, sempre que possível, deve ser aplicado nas proximidades das sementes ou mudas.

Recomenda-se que as fontes pouco solúveis, como os fosfatos naturais e os termofosfatos sejam aplicados a lanço e incorporados ao solo. Os solúveis podem ser aplicados a lanço, em superfície sem incorporação ou no sulco de plantio. 

- No estabelecimento de pastagens consorciadas é conveniente aplicar metade da necessidade de Fósforo a lanço, como fosfato natural e a outra metade no sulco como fonte solúvel, para favorecer a leguminosa plantada em linha. Se a leguminosa for semeada a lanço como a gramínea, recomendam-se fontes de Fósforo solúveis ou reativas.

- Pode-se substituir parte das tradicionais fontes solúveis de Fósforo, como o superfosfato simples, por fosfato de rocha, desde que se eleve as quantidades a serem aplicadas, no mínimo, em 1/3 em relação a fontes prontamente solúveis;

- Os fosfatos de rocha devem ser incorporados ao solo com antecedência, preferencialmente antes da calagem, pois solubilizam mais rapidamente  em solos ácidos. Por outro lado, quando se utiliza fontes solúveis de Fósforo (como superfosfato, supertriplo), sua aplicação só deve ser feita 30 – 60 dias após a calagem.

Adubação de Cobertura

3.2) N - Nitrogênio
Também nas pastagens este nutriente é fundamental ao desenvolvimento das plantas e está intimamente relacionado à produtividade de forragem; sua ausência provoca mau desenvolvimento das plantas, tornando-as cloróticas e raquíticas.

- De maneira geral, a resposta dos capins à adubação nitrogenada é crescente até doses elevadas, cerca de 1600 Kg N/ha/ano. Entretanto, a eficiência de utilização do Nitrogênio aplicado cai à medida que se ultrapassa determinado limite (± 300 a 400Kg N/ha/ano). Existem plantas forrageiras que respondem até doses mais elevadas, como os capins elefantes, colonião e pangola, e aqueles que, devido ao crescimento mais lento, como o gordura, só respondem com aumento na produção de forragem, até doses moderadas, como 200 a 250 Kg N/ha/ano."

As fontes mais utilizadas de Nitrogênio são a uréia (com 44% de Nitrogênio) e o sulfato de amônia (com 20% de N).

3.3) K - Potássio
As pastagens deficientes neste elemento  apresentam  baixa resistência ao acamamento, conseqüentemente colmos  finos e folhas amarelas e necrosadas. A maior parte do Potássio consumido pelo animais  é reciclado pelas fezes e urinas dos animais mas, uma parte é perdido por lixiviação e outra, "exportada" através da produção de carne e de leite. Sua  reposição também deve ser baseada em análise do solo.

O Potássio apresenta grande mobilidade no solo, estando muito sujeito a perdas por lixiviação, tal qual  o Nitrogênio.

A principal fonte de Potássio agrícola é o Cloreto de Potássio (contém 60% K2O), que apresenta elevado índice de salinidade e por esta razão, não deve ser permitido seu contato  com a semente.